Você precisa ouvir o Flávio Augusto!

Ele é um dos principais ícones do empreendedorismo no Brasil.

1995: Fundou a escola de inglês Wise Up com apenas 23 anos de idade usando como capital inicial, R$ 20 mil reais de seu cheque especial a um custo de 12% ao mês em juros.
2013: Vendeu a Wise Up para o Grupo Abril Educação por R$877 Milhões de reais.
2013: Adquiriu o clube de futebol profissional Orlando City pela quantia de 100 milhões de dólares.
2014: Fundou a startup meusucesso.com, escola de negócios online, voltada para quem deseja empreender, que precisou apenas de 38 dias para faturar seu 1º milhão de reais.

Eu estou falando de Flávio Augusto da Silva e estes são os seus 10 segredos de sucesso:

1. Jamais teria um emprego.
2. Venderia algum produto. Qualquer um: picolé, bala, bombom, relógio, pão etc. Identificaria o produto com o qual mais me identifico e estudaria tudo sobre ele.
3. Jamais me envolveria com pirâmides.
4. Numa segunda fase, depois de conquistar um pouquinho de capital, criaria modelos recorrentes de venda desse produto, tipo um serviço de entrega de pães todas as manhãs com consumidores associados. Me dedicaria a vender esse plano. Tudo sem muito capital, mas que me permitisse começar pequeno e sonhar grande e com escala.
5. Viveria com não mais do que 50% do que ganhasse para ampliar meu capital de giro.
6. Me dedicaria a estudar todas as fases do processo a fim de começar a fabricar meu próprio produto e investiria em minha própria marca.
7. Ampliaria meu mix de produtos.
8. Criaria canais de distribuição alternativos, por exemplo, franquias, online, venda direta, B2B etc.
9. No auge da companhia, venderia para um fundo, banco ou concorrente, embolsando uma enorme liquidez.
10. Com 5% do capital conquistado, começaria tudo de novo e investiria os 95% em investimentos conservadores em moeda estrangeira.

 

 

Mariana Godoy Entrevista

O Mariana Godoy Entrevista do último dia 12 discutiu também a reforma da previdência, alardeada pelo governo como uma das prioridades para o país.
Para esmiuçar o tema, foram convidados o professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) José Roberto Savoia, o advogado especialista em direito previdenciário João Alexandre Abreu, o presidente da União Geral dos Trabalhadores Ricardo Patah, o professor de direito previdenciário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Daniel Pulino e a presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados de São Paulo Tonia Galetti.


José Roberto Savoia foi direto em sua primeira observação sobre a Previdência: “Ela precisa sofrer um ajuste e esse ajuste tem que ser agora”.
João Alexandre, por sua vez, fez questão de mostrar outro lado da questão: “Não se fala, por incrível que pareça, que a Previdência tem um superávit”. Segundo dados do especialista, ela arrecada 700 bilhões de reais e gasta 500 bilhões, mas é mal administrada, pois os recursos são usados por outras áreas do governo. Ele criticou a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que permite ao Governo Federal usar 20% de todos os tributos federais livremente. Ele ainda questionou: “Se está deficitário, por que vai para outras áreas”?

entrevista com Felipe Morais

1 – Felipe Morais, fale um pouco sobre você para quem não conhece o seu trabalho.

Comecei a minha carreira no digital em 2001 em uma produtora chamada Canal4, era uma produtora de TV e web e eu atuava nas duas áreas. Formei-me no final de 2003, fui para a Lybra Comunicação ao mesmo tempo em que comecei minha pós em Planejamento de Comunicação na Metodista (2004).

Formando-me na pós, fui para a Publicis Brasil, única experiência, enriquecedora, de agência apenas offline. De 2005 até agora, 2013, Passei por Full Tecno, A1 Brasil, Cappuccino Digital, NeogamaBBH, FTPI, Casanova, TV1, Tesla, Ponto Frio, Giuliana Flores, Gotcha e finalmente Dezak, onde gerencio o projeto de um novo e-commerce com potencial para ser um dos maiores do mercado.

Paralelo a isso, eu presto consultoria para algumas marcas como Decora, KissFM, DellaVia Pneus, Aromatta e invisto na minha carreira acadêmica, que acho importante para qualquer profissional. Hoje coordeno os cursos de Pós Marketing Digital, MBA E-commerce, MBA Gestão em Comunicação e Mídias Digitais, todos na Faculdade Impacta de Tecnologia. Coordeno a Pós de Ecommerce na FMU também. Além disso, dou aula no Senac (SP e São José dos Campos), Pós de Campinas, Miyashita Consulting, Digitalks, 3 Pontos, FGV (Fortaleza) além de ter cursos online no iMasters (Planejamento Digital) e Estratégias de E-commerce (Portal E-commerce Brasil).

Coordeno também os cursos de Internet para Pequenas Empresas do SEBRAE. Em 2009 lancei o livro Planejamento Estratégico Digital (que será relançado em 2014) e em Junho de 2013 fui um dos co-autores do livro Gerente de E-commerce. A sim, ainda tenho tempo de ser pai, namorado e fanático torcedor do São Paulo FC.

2 – O que exatamente faz um Planner Digital?

Acho melhor falar: o que não faz o planner?

Na verdade, nós somos responsáveis por organizar as informações e dar um direcionamento estratégico para elas. Basicamente, nós pesquisamos (e muito!!!) sobre mercado, concorrência, comportamento do consumidor, tendências, referências.

Depois analisamos tudo, damos a nossa percepção do que acreditamos, embasamos e apresentamos para a agência criar as campanhas, comprar a mídia, fazer o post no Facebook e por ai vai. Nós damos o caminho para o sucesso.

3 – Quais as principais coisas que um profissional que queira ser um Planner Digital tem que estudar?

Comportamento do consumidor. Estude a fundo isso e você será um grande destaque no mercado. Legal desenhar estratégias, saber de táticas, mas sem ter um senso crítico e curioso, não se vai muito para frente.

Seja um fã por pesquisas, mas foque mais no consumidor, afinal, é ele quem paga as contas.

4 – Quais os principais diferenciais que um profissional de Planner Digital precisa ter?

Entender “o” e não “de” digital. Parece óbvio, mas não é. Uma coisa é saber como funciona o Facebook, isso é entender de digital. Outra é saber como o Facebook pode ser rentável para a sua marca, isso é entender o digital, saber como as pessoas usam as redes, como, por que, para o que. Mais uma vez, reforço, para os planners estudarem o comportamento de consumo.

5 – Um Planner Digital pode trabalhar como Freelancer diretamente com clientes, ao invés de agência?

Com certeza, mas o primeiro passo para ser um bom planner é saber liderar pessoas, equipes, liderar processos. Planners nunca trabalham sozinhos! Nós precisamos, sempre, de pessoas ao nosso lado que agreguem.

A grande dupla do planejamento, é a criação. Sempre cito em sala de aula o quanto meu trabalho cresceu quando trabalhei com o Daniel Barros na Agência Tesla. Somos muito amigos até hoje, estamos sempre trocando figurinhas, cases, até hoje, mesmo não trabalhando lado a lado há 2 anos.

6 – Como é, na prática, fluxo de trabalho de um Planner Digital quando começa a atender um novo cliente?

Aprofundar, pesquisar, conversar, entender, analisar, ir para a rua, pesquisar comportamento de consumo, entender mercado, concorrência, cenário, tendências, dados, números e insights. Entendeu tudo? Agora você pode começar a atender o cliente. Planners gostam de historias. Enquanto os clientes só querem saber como ganhar dinheiro na internet sem perda de tempo ou investimento.

Contamos histórias, ouvimos histórias, as transformamos em campanhas memoráveis. Omo, por exemplo, ouviu o consumidor e mudou seu posicionamento: se sujar faz bem!! Criança suja é criança saudável! Campanha sensacional!

7 – Como você usa a internet para realizar as pesquisas que são necessárias? Quais ferramentas ou formas de trabalho?

Basicamente eu uso o Google. Grandes agências possuem ferramentas como Marplan, TGI, ComScore, Ibope entre outras que dão resultados de pesquisa lindos, mas se você não tem acesso a isso não vai sentar e chorar, tem que se virar nos 30, nos 10, nos 5, enfim, tem que correr atrás da informação, pois ela não vem até você, isso eu garanto.

Uso o Google para me direcionar a sites relevantes. Uma pesquisa em um blog pode ser interessante, mas qual a relevância desse blog? O Brainstorm9, excelente, mas e outros? Agora uma matéria na Veja, Exame, Epoca Negócios, Meio e Mensagem, Proxxima, blog do Adonis, ai sim tem como levar em consideração. Adnews, IDGNow, Oficina da Net, iMasters, Mundo do Marketing, HSM, O Melhor do Marketing, Webinsider eu também aconselho, mas não espere cair o brief no colo, vá atrás de conhecimento diariamente.

8 – Já é possível criar nos meios digitais campanhas que tenham um impacto ( em vendas, em exposição da marca e etc ) tão grande quanto, ou maior, que nas mídias tradicionais?

No Brasil, ainda não. São 100 milhões de pessoas na web versus 180 milhões na TV ou Rádio, sabemos que a maioria das pessoas na web vai para o Facebook e não portais de notícia onde as campanhas são maiores. Acredito que um dia, isso possa acontecer, mas daqui uns 10 anos.

Ainda vamos apostar na comunicação 360º, pois essa é a que mais dá resultado. Veja Skol, Tecnisa, Fiat, Guaraná Antartica, Dove, Coca-Cola, FGV, Ford que investem em tudo e como isso está gerando resultados. Recentemente a P&G ampliou para 35% da sua verba de marketing para o digital. A FGV já tem 80% da verba destinada ao digital.

9 – Vejo muito as pessoas dizendo que há muitas vagas para Planner Digital, mas sinceramente não as vejo. Como um profissional que queira seguir essa área pode encontrar essas oportunidades?

Ainda é um mercado fechado. O digital é fechado e planner mais ainda. As agências e empresas veem o planejamento como algo que não gera dinheiro no caixa, por isso, cerca de 1% das agências são planners.

Tem mais atendimento, mídia, Redes Sociais, pois esses são vistos como quem gera receita. Miopia total, pois bons planners geram mais receita a empresa, mas um dia essa visão vai mudar. Temos agências como Santa Clara, Young&Rubicam. Loducca dirigidas por planners que estão mudando isso.

10 – Pode nos contar um case de sucesso seu?

Nossa, são tantos que me perdi.. hahahaha. Brincadeiras a parte, o que eu mais gosto é o Troque o velho pelo novo da Pirelli. Fizemos em 2006 pela A1 Brasil. Equipe fantástica, até hoje grandes amigos como o Euripedes Magalhães (criativo) e Cristiane Lindner (Arquiteta de Informação). Fizemos a 1ª campanha 100% online da Pirelli no Brasil, usando Orkut, YouTube, MSN, Mídia Online, Email Marketing. Isso em uma época que o Facebook não era nada no Brasil e o Twitter nem existia. Conseguimos 30% a mais da meta estipulada em vendas da campanha. Usamos a Maria Alice Vergueiro que na época era o grande sucesso do YouTube como “Tapa na Pantera”

11 – Quais as novidades que seu novo livro trará?

Na verdade, 95% do livro foi reescrito. Peguei o antigo, reli e disse: “ok, agora eu sei o que eu não vou mais escrever” Demorei 2 anos para reescrever. No primeiro, escrevi em 6 meses, agora aprofundei mais, dei outra visão, estou mais experiente, coloco outras visões, cases, enfim, para quem tem a 1ª versão, pode comprar a 2ª versão, por que é uma espécie de Planejamento Estratégico Digital II, a missão!

(fonte: http://www.marketingdigitaldicas.com.br)

Entrevista com Juliana Lois

juliana, que pra mim é j., jln, j u l i a n a & variantes, um prisma que brilha no sol e reflete arco íris. nossa amizade/ligação vem de um causo particularmente bastante importante na minha vida, uma das mais impactantes e significativas até hoje; foi em 2014 que começamos a trocar longos e-mails, com relatos do dia a dia, pensamentos aleatórios, indignações e espelhamentos de algum tipo. não nos conhecemos pessoalmente ainda, porém sua presença na minha caixa de entrada é guardada a chaves de ouro & glitter, e só espero que isso se propague e se estenda ao máximo possível. j., obrigada pelas respostas, pelo carinho, cuidado, pelo caderno feito 100% à mão, pelas conchas, confidências, palavras e escritos. o mais bonito dos sentimentos

 

Você costuma se lembrar dos sonhos que tem? Pode me contar sobre um deles?

De modo geral, não me recordo facilmente dos sonhos que tenho durante a noite; acabo sentindo a necessidade de reservar alguns instantes, ainda deitada, após meu despertar, para tentar me lembrar de algo. Às vezes consigo lembrar de grande parte dos sonhos, mas na maioria dos casos, de apenas alguns fragmentos. Um sonho que realmente me marcou – está anotado num pequeno caderno que mantenho sobre sonhos – tinha como cenário uma comunidade quase que utópica (parecida com a ideia de bolo’bolo); lembro-me de uma grande casa feita de madeira, um imenso campo de centeio e uma frase que ecoou por fim, “Me encontre na fronteira”.

 

Que hábitos seus você considera meio “incomuns”?

Bem, “incomum” sempre acaba tendo relação com o subjetivo hahaha. É difícil dizer o que é ou não comum tratando-se de hábitos, até mesmo cheguei a perguntar para algumas pessoas devido à dificuldade e nenhuma delas pôde me ajudar! Posso, então, afirmar que sou alguém extraordinariamente comum? hahaha. Acho que posso incluir no rol de hábitos “incomuns” o fato de preferir subir escadas a escadas rolantes, carregar sempre um caderno de anotações mesmo sabendo que não vou utilizá-lo, comprar lápis e canetas que não vou usar…

 

O que você tem escutado (qualquer coisa!) ultimamente?

Nessa semana tentei organizar minha vida perante à música, aproveitando as férias da faculdade – isso inclui minhas discografias no notebook, minhas músicas favoritas no spotify e minhas playlists perdidas em várias plataformas (winamp, youtube), em vão haha, é impossível ajeitar tudo isso! Com as falhas tentativas, acabei (re)encontrando Morton Feldman e me maravilhei com algumas composições que jamais havia escutado. Também estou ouvindo Jackson C. Frank, descoberta feliz de um folk tão bom quanto o de Nick Drake.

 

Você tem algum arrependimento…? Qual?

Acredito que todos temos arrependimentos, sejam eles pequeninos ou grandiosos. Talvez meus pequenos arrependimentos estejam voltados à ideia do que poderia ser feito/realizado/dito e não o fiz. O “E se…?” vai e vem em dados momentos, trazendo um pouco de angústia e inquietude. Ainda que me perpassem essas pequenas centelhas de arrependimento, não considero possuir um real arrependimento.

 

Quais são suas palavras/frases favoritas, hoje?

Valem citações e notas de leituras atuais? haha. Dependendo do livro que estou lendo, a vontade é de grifá-lo por inteiro ou de enchê-lo de post-its, de tanta frase que toca (lá fundo) ou que expressa tão precisamente uma ideia ou sensação. Talvez a frase que mais ecoa em mim nestes dias seja: “Caminhar nos impede de esquadrinhar as perguntas sem resposta, ao passo que no leito somos capazes de ruminar o issolúvel até a vertigem.”, um trecho do primeiro livro de Emil Cioran. Já sobre palavras favoritas, é fácil eu me encantar por algumas específicas (não só pelo significado, mas também pela sonoridade), hoje assaltou-me a palavra “inóspito”, que ganhou vida com o vento que brada, momentos antes da chuva cair, e faz farfalhar as folhas, algumas estalando ao bater contra a janela, juntamente com o som das primeiras gotas que caem com força… inóspito.

 

Dicas de Entrevista #1

Estamos pensando em elaborar para os alunos de jornalismo que nos visitam todos os dias, um manual com dicas de como conceber, criar, elaborar, produzir e realizar uma entrevista.

Muita gente quer produzir esse tipo de conteúdo na sua estratégia de marketing online.

Qualquer entrevista pressupõe um tema, objetivos previamente definidos e entrevistadores e entrevistados. A estrutura da entrevista compreende três momentos: uma introdução, as perguntas do(s) entrevistador(es) eas respostas do(s) entrevistado(s) e uma conclusão.

Existem várias regras a serem observadaspara que a entrevista esteja completa, como por exemplo, formular perguntas adequadas ao tema e de acordo com os objetivos previamente definidos, fazer perguntas que tenham em consideração o contexto espacio-temporal e as características da pessoa entrevistada (nível etário, posiçãosociocultural, tipo de personalidade, etc.).Numa entrevista é de toda a utilidade recorrer a perguntas abertas do tipo-Qual é a sua opinião sobre? e a perguntas fechadas do tipo:

-Quem vai escolher para fazer o prefácio do seu próximo livro?Numa boa entrevista, o entrevistado, deve ser levado a revelar aquilo que se pretende saber. Não emitir opiniões nem fazer juízos de valor sobre as respostas do entrevistado, mais do que uma regra é uma questão de bom senso.

Vale dizer que se deverá utilizar uma linguagem rigorosa, clara e de fácil compreensão, assim como ordenar as perguntas de uma maneira lógica.

Planeje, rascunhe, escreva o roteiro da sua entrevista. Não encare o entrevistado sem saber o mínimo sobre ele para começar uma conversa inteligente.

Eliana entrevista Chiquinho Scarpa

Depois de uma vida regrada a todo e qualquer tipo de luxo e requinte, o Conde Chiquinho Scarpa fala sobre sua infância, sobre como foi crescer em um ambiente extremamente próspero, como era a vida em uma de suas tantas casas de luxo espalhadas por todo o Brasil, e os relacionamentos com mulheres exuberantes por quem o Conde sempre se apaixonou.

Se você conhece um pouquinho da vida dessa celebridade, sabe o quão polêmica essa figura é. A entrevista tá recheada de tabus e segredos da vida do Conde e não dá pra perder.

 

Um pouco da Biografia do Conde

Nascido numa família de industriais ítalo-brasileiros, segundo o próprio Chiquinho o título de conde teria sido recebido pela família Scarpa ainda na Itália, e a ele transmitido via jus sanguinis. Não há, todavia, nenhuma confirmação sobre a veracidade da alegação. Especula-se que o alardeado título seria de “conde papalino”, honraria meramente decorativa (e não-transmissível) conferida pela Igreja Católica ao seu avô Nicolau Scarpa, em retribuição a donativos. Portanto, não havendo relação com a Casa de Savoia, que efetivamente conferiu o título de conde aos empresários Francisco Matarazzo e Rodolfo Crespi, por exemplo. Seu pai, Francisco Scarpa (1910-2013), não ostentava o título e considerava-o “uma bobagem”.

Em 1977, Chiquinho foi interpelado judicialmente pelo príncipe Rainier III de Mônaco, depois que insinuou na televisão ter vivido uma suposta cena de alcova com a princesa Caroline de Mônaco. Em entrevista para o colunista social Ibrahim Sued, no Fantástico, o playboy insinuou conhecer “mais intimamente” a princesa. Ao que Ibrahim rebateu: “Mas ela é virgem”. E Chiquinho: “Essa é a sua opinião”. Como ele se retratou, Rainier retirou o processo. Em 1991, gerou discursos de protesto na Câmara dos Deputados por causa de uma entrevista delirante em que declarou ser dono de uma “criação de anões”, que alugaria para trabalhar como garçons, e de um escravo pessoal em Marrocos.

Chiquinho manteve algumas relações amorosas com celebridades e mulheres famosas, contudo seu primeiro casamento foi um desastre e rendeu muitas fofocas para as colunas sociais dos jornais e revistas de grande circulação. Casou-se com Ana Carolina Rorato de Oliveira. Em janeiro de 2007, Chiquinho casou-se pela segunda vez com Rosimari Bosenbecker, uma antiga namorada. Moraram na mansão dos pais dele até agosto de 2010, quando se separaram amigavelmente.

Em abril de 2009 submeteu-se a uma cirurgia de redução de estômago e teve complicações no pós-operatório, permanecendo 63 dias em coma. A cirurgia era em virtude de seu peso: 118 kg para 1,71m, o que dá um índice de massa corporal de mais de 40. Chiquinho chegou a receber duas vezes o sacramento da extrema-unção.

 

A vida polêmica

Sempre com opiniões muito ácidas e pontos de vista bem inteligentes e construídos, Chiquinho Scarpa sempre teve destaque na mídia brasileira pela ostentação do seu luxo e riqueza. Bom orador, de palavras fortes, nunca poupou críticas ao governo e quase pensou em se lançar na carreira política, segundo ele, a única carreira que um playboy de verdade poderia considerar.

Entrevista com Everaldo Vasconcelos

(realizada por Arthur Morais e Jéssica Sales)

Com a criação do NUDOC o que mudou no cenário cinematográfico na Paraíba?

É interessante conhecer a obra do Wills Leal, Cinema na Paraíba, que conta a história do cinema paraibano em dois volumes. Nessa obra, Wills contextualiza como foi o surgimento do Núcleo de Documentação Cinematográfica da UFPB naquele momento político cultural. Também tem o trabalho muito interessante de Pedro Nunes e de João de Lima, que aprofundam a pesquisa acerca deste tema.
A minha geração começou a fazer cinema praticamente com o NUDOC e através dele tomou conhecimento do cinema paraibano que existia, tanto que alguns de nossos professores foram cineastas que participaram daquele ciclo de cinema iniciado na década de 1960: Manfredo Caldas, Manoel Clemente, Pedro Santos. Teve também Linduarte Noronha, só que Linduarte não estava propriamente no NUDOC, mas era professor no curso de comunicação e nós assistíamos às suas aulas.
O NUDOC, de fato, foi como uma espécie de rito de passagem do bastão, ele serviu muito para que pudéssemos ver todos os filmes do ciclo de cinema iniciado na Paraíba. Nós vimos todos os filmes de Vladimir Carvalho disponíveis na época, filmes de Jurandir Moura, filmes do Linduarte Noronha, Ipojuca Pontes, filmes de outros ciclos. Lembro também de um filme Alex Santos, O Coqueiro. Machado Bittencourt, que tem uma filmografia importante. Ele fundou em Campina Grande a Cinética Filmes, um estúdio e um laboratório, e inventou equipamentos para revelar e copiar filmes. Um pioneiro que criou, um laboratório independente, que não precisava mandar revelar os filmes no Rio de Janeiro, fazia todo processo aqui.
Foi através do NUDOC que nós entramos em contato com toda essa geração que fez o cinema paraibano aparecer, o NUDOC não teria sido possível se não tivesse havido essa geração anterior. Às vezes, as pessoas colocam o NUDOC como algo separado da história do cinema na Paraíba, como se fosse uma coisa que surgiu em um instante mágico, e ao contrário, o NUDOC, somente foi possível por causa dessa geração de cinema que, se aproveitando de uma ocasião histórica aqui, que foi a realização de uma jornada de cinema, no qual o reitor Linaldo Cavalcanti tornou possível um convênio com a França, através de Jean Rouch, para que fosse realizado um curso com o ateliê de cinema direto Varan de Paris.
Toda a minha geração que circulou pelo NUDOC, fez os cursos, na verdade receberam esse bastão porque nossos professores, de fato, lutaram pela implantação do NUDOC. Pedro Santos, músico, compositor, um dos grandes educadores de cinema, vindo do movimento cineclubistas, foi uma das grandes figuras articuladoras do Núcleo.
O NUDOC foi então essa passagem de bastão. Daí, que essa geração que gravitou em torno do Núcleo, direta ou indiretamente, é aquela que levou adiante o sonho de fazer cinema. Eles não foram apenas fruto de uma oficina da Varan no cinema direto, eles, de fato, foram pessoas que viram todo o cinema paraibano que tinha sido produzido e tiveram como professores aqueles cineastas. Daí você, tem Marcus Vilar, Torquato Joel, Bertrand Lira, que surgiram disso. Houve, paralelo ao NUDOC, outros movimentos de cinema, mas ainda bebendo dessa força, dessa pujança das coisas que ocorriam, é tanto que se faziam muito brinquedo entre o cinema direto e o cinema indireto, e não deixava de ter uma referência do que estava acontecendo no NUDOC.

Você participou no Curso de Cinema Direto na Paraíba?

Participei de todos eles.

Havia divergência em relação ao Cinema Direto?

Havia algumas coisas que já foram bastante discutidas em trabalhos acadêmicos e filmes documentários sobre este tema. A formação cinematográfica no NUDOC era muito rígida através dos ateliês de formação; tinha um modo de ensinar cinema muito apegado à questão técnica, à questão histórica e ao compromisso social do cinema. Então, isso fazia com que houvesse determinadas divergências. Algumas pessoas achavam que o cinema poderia ser alguma coisa mais experimental, que pudesse se experimentar uma série de outras coisas e os nossos professores eram bastante rígidos.
Lembro-me demais de Pedro Santos nos dando altas reprimendas porque a gente ficava, às vezes, voando com a teoria e ele dizia: “não, não pode ir por aí, porque a semiótica do cinema vem por aqui, a teoria é essa, as coisas são essas, a crítica é essa, a teoria da montagem é essa, as teorias da montagem ideológicas são essas, é assim, isso, isso, e tal…”. A gente viu todos os principais filmes da história do cinema em 16mm, em uma sala de cinema. Isso dá para ter uma idéia do que é ter uma formação dessas.
Havia alguns grupos que se contrapunham a esse processo tão rígido de formação cinematográfica, mas pelos frutos que essa formação deu, eu acredito que foi muito correto.

O Curso de Cinema Direto limitava a escolha dos temas?

Não. Nunca houve nenhuma censura a qualquer tema. Há filmes de todos os lados, de todas as cores, de todos os temas possíveis e imagináveis. Filmes que abordavam desde situações familiares, como meu próprio filme “A Sagrada família”, que tinha uma abordagem muito pessoal e muito familiar. Eu apliquei no cinema o processo de lavagem de roupa suja de minha própria casa, um processo de auto-analise psicanalíticas.
Há filmes que abordavam a questão da terra, há filmes que abordavam a questão das artes, filmes que abordavam as questões da homossexualidade, filmes que abordavam questões religiosas ou dos menores abandonados, questões do sertão, da seca. Não havia uma limitação de temática para nenhuma direção, o que havia era uma questão de proposta antropológica.
Um modo de abordagem que o cinema direto propunha era você ter uma personagem e dar voz a ela, porque um dos princípios do filme etnográfico é que você dá voz a quem não tem essa voz, então o filme torna protagonista aquele que é dono de sua história. Não sou eu que chego com minha câmera e meu filme e faço um documentário sobre o que eu penso que deve ser aquela pessoa – o documentário tradicional faz muito isso, é uma leitura que o cineasta faz do outro – e o filme etnográfico é o contrário, nós damos voz ao outro, o filme é ele.

Havia preconceito com o super-8?

Com relação a geração anterior tinha, muito, porque, na verdade, a bitola de cinema mesmo era a de 35mm, a bitola profissional de cinema. Então, quando você fazia um projeto para 16mm, já era um projeto considerado pela metade do caminho, porque você estava trabalhando com a metade da bitola do cinema profissional e trabalhar com o super-8 era trabalhar com um quarto da bitola de 35mm, era algo menor ainda, quase como um brinquedo. Na verdade, a câmera de supér-8 era um brinquedo que os pais compravam para gravar as férias, os almoços de família, coisas desse tipo, como hoje as câmeras de celular que fazem isso.
Quem vai conferir esse status à câmera de super-8 é principalmente o Jean Rouch através de cinema etnográfico. É o cinema antropológico quem vai transformar uma câmera de super-8 numa arma poderosíssima, porque ela continha no seu próprio equipamento o som e a imagem. Você não imagina o que significa isso hoje, porque existem celulares como esse aqui que grava em 4k.
Na época você tinha um equipamento que não precisava de um gravador atrelado de lado para poder gravar as coisas. Num filme em 16mm que eu fiz era um carnaval, porque eu tinha uma câmera, um gravador que tinha que ficar pregado de lado, a equipe era uma maravilha, ficava correndo atrás das coisas e ainda ligado para bater o ‘sincro’ com a câmera, imagina o rolo?!
E ainda eram equipamentos legais, porque às vezes, em determinados equipamentos, por exemplo, quando começou a existir o VHS, a câmera era uma e o gravador da imagem era outro. A câmera super-8 era um verdadeiro milagre tecnológico, oferecia liberdade e uma qualidade muito boa, porque se eu filmasse em kodachrome, uma película muito boa, com a luz do dia e com o filtro adequado, obteria um tipo de definição de imagem, com um tipo de granulação que me garantia uma coisa muito boa quando projetava em telas maiores. Mas já existia, por exemplo, o ektachrome, um outro tipo de película, se eu filmasse com o ektachrome, ele dava para gente um tipo de granulação que era bacana para fazer efeito, mas às vezes, possuía um grão muito grosso do filme, as películas antigas possuíam diferenças de uma para outra. Variavam não só em relação a questão do modo de obter a cor, mas também na quantidade de grãos, no modo como ela se dividia quimicamente para produzir as diferenças, as singularidades.
É claro que não tínhamos essa qualidade toda em relação a gravar em 35mm, mas, às vezes, você obtinha coisas muito boas em super-8, uma boa câmera filmando em kodachrome com luz do dia era uma imagem perfeita. Agora, filmes em kodachrome com luz artificial, a gente já ficava por ali. O ektachrome era um tipo de película ruim. Aí tinham as películas da Fuji, a películas agfa color…
A vantagem de a minha geração trabalhar com o super-8 foi nós aprendemos coisas que, talvez, a geração que trabalhou com 35mm não tenha aprendido. Aprendemos a química do filme, por exemplo, o que significava você ter um tipo de películas, a luz, os filtros, todos os recursos tecnológicos que você tinha que ter para dominar a química da fita que estava usando.
Terminou sendo um tipo de aprendizagem muito interessante, mas, de fato, houve um preconceito muito grande, muito, muito grande. Apesar de que, se você lembrar, Almodóvar, os primeiros filmes dele, inclusive que ele fez circular, foram filmados, fotografados em super-8. Até hoje existem festivais em super-8 fora do Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. É uma bitola que continua sendo usada e é muito legal.
No Brasil não ocorre porque a gente é nicho de mercado, então na hora que acabou o nicho do super-8, começaram a chegar as câmeras em VHS e praticamente morreu o super-8 no Brasil. Para você filmar em super-8 no país é um carnaval porque você tem que comprar fora, mandar revelar fora e, quer dizer, se tornou inviável trabalhar com película super-8 no Brasil. Aliás, está ficando inviável trabalhar com película no Brasil, hoje é mais barato trabalhar com o 4k, quase todo cinema brasileiro hoje é digital, mesmo que eu faça cópias, transfer e copie tudo para película para participar de alguns festivais, mas hoje quase todos os filmes estão sendo feitos digital no Brasil, por causa da questão do custo.

Durante o Terceiro Ciclo de Cinema, onde os filmes produzidos eram exibidos? Haviam festivais, cineclubes ou circuitos cinematográficos?

Eram nos festivais, cineclubes… Aonde dava e quando a polícia deixava também, porque algumas vezes, em exibições de festivais que a gente organizou aqui, saímos da sala de exibição com a polícia federal correndo atrás da gente.

Algum filme seu foi censurado na época?

Não, a polícia federal não censurava os filmes, censurava a gente (risos). Ela ameaçava os cineastas. Numa das noites, uma vez, estávamos exibindo filmes na antiga reitoria, que hoje é o INSS, estava tendo exibição de filme lá e a polícia federal chegou para impedir e a gente reagiu ao policial, estávamos eu, João de Lima e Pedro Nunes. Eu e João de Lima saímos para levarmos a notícia e vermos se passava por telex para o pessoal do Correio Brasiliense e para Folha de São Paulo e, nesse meio tempo, a polícia chegou, inclusive para levar a mim e ao João porque a gente tinha afrontado o policial. Encaramo-lo, dissemos umas verdades e como o policial federal é deus, você deve imaginar que ele voltou com metralhadoras e ameaçou as pessoas, ameaçou professores que estavam lá.
Se ele tivesse pegado nós dois, estaríamos ferrados, não pegou porque a gente estava no jornal, na máquina de telex. Conseguimos mandar para folha de São Paulo, Jornal do Brasil e Correio Brasiliense. No dia seguinte, saiu uma notinha, pequenininha avisando que a polícia federal havia invadido o festival.

Porque existia essa perseguição com os cineastas daqui?

Porque toda ditadura odeia os artistas, odeia os cineastas, odeia a cultura, odeia a liberdade de expressão e a polícia federal sempre foi algo muito, muito, muito cruel com a cultura brasileira. Eles têm uma dívida imensa com o Brasil, eles deveriam se comportar melhor e não estão fazendo isso atualmente, inclusive. Eles deveriam se culpar para limparem as almas, porque são pessoas que se dedicaram a censurar a cultura e a perseguir politicamente os artistas, não tem explicação para eles interromperem uma mostra de cinema feita por estudantes, com filmes que são basicamente de natureza antropológica. Acho que a Policia Federal deveria incluir a disciplina de Arte no currículo de formação de seus membros com aulas teóricas e práticas.

Na época que foi realizada a mostra de cinema estava em cartaz nos cinemas daqui, nas salas comerciais, filmes como: Vida e Gloria de uma Prostituta, Fêmea do Mar-pornográfico, entre outros. Como esses filmes, mesmo com temática sexual, conseguiam passar pelo crivo da censura e Mostra de vocês foi censura?

Para eles a pornografia era importante porque você canalizava toda uma inquietação popular ou qualquer coisa que houvesse para o lado da sexualidade. Qualquer ditadura fala em nome da moralidade, se diz contra a corrupção, mas no fundo são os mais corruptos, são os mais pornográficos.
O que ocorre é que a pornografia não era chocante para eles, porque não atentava contra o poder deles, o que atentava era um grupo de estudantes querendo falar, se expressar livremente. A pornochanchada no Brasil, inclusive, prosperou durante a ditadura militar, você via todos os cinemas lotados de produções pornográficas e eróticas e não havia censura alguma nisso. Era plenamente aceito, no entanto, era proibido qualquer outro tipo de manifestação inteligente.

Então, você poderia assistir o pornochanchada, mas não poderia discutir sobre sexualidade…

Você não poderia discutir sobre sexualidade livremente. Faz parte da hipocrisia da sociedade, agora mesmo nessa crise política que estamos vivendo, as pessoas querendo dar um golpe de estado parlamentar na presidenta Dilma Rousseff, claramente um golpe, o mundo todo se manifestando, e eu tive a oportunidade de conhecer alguns colegas que me mostraram no WhatsApp deles alguns vídeos, e a política era misturada com as mulheres gostosas, a pornografia misturada no meio da política. Eu até brinquei com eles, disse: “interessante você fazendo campanha contra a corrupção, os costumes e não sei o quê, no entanto, o grupo de vocês que apóia esse impeachment, é um grupo altamente pornográfico”, e ele brincou comigo e disse assim: “ah, mas isso é só para diversão. Basicamente essa hipocrisia existe em todos os tempos, o fato é que o cinema incomoda quando você vai lá e diz as coisas que têm que ser ditas, o teatro incomoda, a literatura incomoda, os intelectuais incomodam porque pensam e eles não querem que você pense, querem que você seja apenas uma das criaturas da boiada.

… então, quando a sexualidade era discutida de forma mais acadêmica, isso incomodava.

Incomoda até hoje, você chama uma discussão dessas e as pessoas ficam incomodadas: por que? Porque, na verdade, nos bastidores, elas têm um tipo de comportamento, mas diante da sociedade, outro comportamento.
Uma das coisas boas de você ser um artista, eu sou um artista de teatro também, é que a gente tem uma vida muito noturna, por causa dos ensaios e tudo, ensaiamos muito à noite, então vemos muitas coisas que ocorrem à noite, até porque muitas vezes – hoje eu não faço tanto isso, mas alguns colegas mais jovens continuam fazendo –, saíamos para tomar uma cervejinhas e encontrávamos pessoas da grande moralidade nos lugares que a gente ia tomar a cerveja, que eram os cabarés de João Pessoa, porque estavam abertos. Chegávamos lá e estavam os senhores da moralidade, nos fazíamos de invisíveis, mas isso é muito comum, essa dupla personalidade dessas pessoas e não é uma coisa só do Brasil, essa hipocrisia é generalizada. Quando você vê um cara falando muito de moral, vá atrás que a coisa é feia. O que é complicado é que eles atacam os artistas, os cineastas. Atacam com ferocidade: É tanto que uma pessoa me mandou um e-mail, recentemente, dizendo que a culpa toda da corrupção no Brasil era dos professores e dos artistas.

Trazendo um pouco para hoje em dia, a gente vê que a grande mídia está apoiando o golpe, o impeachment da presidenta Dilma. Naquela época, como a imprensa se comportava?

Você tem que entender o seguinte, a grande imprensa quando apoiou o golpe de 64, toda essa grande imprensa, a Folha de São Paulo – a Globo não, porque a Globo era uma organização que continuou no poder – quando eles tomam o poder, alguns setores são colocados à margem. O que aconteceu foi que alguns setores da imprensa começaram a sofrer censura, enquanto outros não sofriam censura nenhuma. O Globo, por exemplo, foi tranquilo, cresceu e se desenvolveu totalmente, mas a Folha de São Paulo sofreu bastante, mesmo tendo apoiado o golpe, apoiou o golpe militar e depois foi para a macaca.
Haviam alguns jornais que obviamente mantinham essa cobertura mentirosa, tentavam falsear, mas haviam jornais que já tinham sido marginalizados Por exemplo, a gente denunciou as coisas que estavam acontecendo aqui em alguns jornais do Brasil e eles deram destaque, colocaram a publicação lá, se você for atrás um pouquinho na história, esses grupos tinham apoiado, mas logo depois entraram pelo cano.
Foi o que aconteceu com Carlos Lacerda, um dos conspiradores que botou João Goulart para baixo, foi um dos caras que lutou pela cassação dele e pelo golpe militar e logo em seguida ele próprio é cassado e preso. Acontece muito isso. É porque não tem lugar para todo mundo, então, o mais forte joga o outro fora. É uma briga de foice.
Haviam setores da grande mídia que apoiavam o cinema brasileiro, que apoiavam as causas da luta contra a censura, a Folha de São Paulo chegava a publicar nas suas páginas receita de bolo, indicando ao público que aquele material havia sido censurado.
Aqui tínhamos apoio discretos de alguns jornais que nos davam tijolinhos, notícias, tudo. Mas havia também colunistas locais que se alinhavam a uma postura absolutamente predatória contra professores que vinham dar aula na UFPB e atacavam esses professores, chamando-os de tudo quanto não presta, do mesmo jeito que você vê hoje esses famosinhos que estão aí, essas criaturas escrevendo na Veja, em blogs atacando os artistas e intelectuais, havia a mesma coisa, só que numa escala menor, porque hoje com as redes sociais, com a internet, essas coisas se multiplicam com uma força muito maior.
Vocês estão podendo assistir hoje algo muito parecido e talvez se as coisas continuarem a dar as conseqüências para adiante, talvez a gente chegue a assistir a censura materializada. Censura de espetáculos já começou, eles invocam a lei, o juiz dá uma liminar, a liminar não tem fundamento, mas o cara de qualquer forma dá e para você derrubar uma decisão dessas você tem que recorrer e o espetáculo tem hora para acontecer, então… funcionou como uma censura.
Havia apoio de determinados setores e havia, por outro lado, a perseguição, através de colunistas nos jornais que pegavam pesado, atacavam de forma pesada as produções, por exemplo, de Pedro Nunes. Houve ataques pesadíssimos ao Pedro NUnes, por causa do filme Closes, que é um filme da época, não era do NUDOC, mas foi feito naquela mesma circunstância e foi um filme muito chocante que sofreu uma censura e uma perseguição muito grande.
Eu acho que a gente tem que lutar com isso mesmo, a história da humanidade é essa mesmo, a gente vai continuar fazendo filmes, vão existir períodos de relativa liberdade e vão existir períodos em que esses malucos fundamentalistas aparecem, porque eles não morrem, ficam embaixo da terra esperando a hora de surgirem com a sua maldição zumbi, aí eles vêm contaminam os outros que transformam-se em zumbis… A melhor metáfora para isso que tem no mundo hoje é “The Walking Dead”, porque é como um zumbi, esses fascistas aparecem, contaminam os outros e as pessoas se tornam zumbis deles sem saber o porquê. Aí passa um tempo, melhora aquela crise do vírus zumbi, mas daqui a pouco aparece de novo, a gente tem que aprender com isso, quer dizer, se preparar sempre para isso, através da reflexão e não perder a esperança de melhores dias para a humanidade e não deixar de fazer arte. A arte é aquilo capaz de curar o coração humano, através na arte você pode educar a humanidade, educar a sensibilidade.

Realizamos entrevistas com outros cineastas que produziram em super-8 na Paraíba e a maioria deles citou seu filme “A Sagrada Família” como uma referência no período, por ser inovador. Você pode falar um pouco desse filme?

Esse filme foi o encerramento da oficina, do primeiro curso que eu fiz da Varan aqui, e eu aproveitei uma situação pessoal, na verdade, uma situação que eu vivia dentro de casa com meu pai alcoólatra. Era uma situação muito difícil e eu não tinha como retrabalhar isso e, na época, fiz muitas leituras, havia cursado algumas disciplinas de psicologia aqui [UFPB] e tive acesso à obra de Freud. Através dessas obras eu comecei a entender alguns mecanismos psíquicos das pessoas. O filme “A Sagrada Família” foi um modo que eu encontrei de recuperar a imagem do meu pai e de curá-lo dentro de mim.
Se você assistir ao filme, verá que ele começa com meu pai chegando em casa, embriagado e vai conduzindo a embriaguez dele, até o momento em que o filme vira e aparece uma imagem que é ele varrendo, como se ele varresse aquilo tudo, e aí a família é completamente outra, as pessoas estão organizadas, conversam, dão depoimentos sobre a vida, sobre as perspectivas e tudo. É uma estrutura que eu trabalhei muito em cima de um conto, uma novela conhecida, chama-se “O médico e o monstro”, que é o doutor Jekyll e o doutor Hyde, o homem bom e o homem mau que existe dentro de cada pessoa, e a estrutura do “Sagrada Família” é uma estrutura do duplo, em que você começa com o mau, com o monstro, o alcoólatra que perturbava toda família, mas ele se transforma num homem bom. Através da “Sagrada Família” eu consegui recuperar em mim mesmo o amor de meu pai, porque a história triste era se eu tivesse começado com ele bonzinho e terminasse com ele monstro, mas o que eu fiz no filme foi: através do cinema direto, elegi ele como personagem para mostrar que aquele homem que se figurava mau naquele sentimento, era um homem bom e eu acho que o filme terminou sendo profético porque anos depois ele deixou a bebida, venceu o alcoolismo e foi muito importante ter feito isso, ter construído isso através do cinema.
Na época eu pensei muito “rapaz, vou fazer um negócio desses?!”, mas no fundo os artistas têm que saber de uma coisa: você já está em carne viva mesmo, não precisa mais esconder porra nenhuma, a pele já está toda arrancada, então…. Eu não aconselharia outra pessoa a fazer, acho que isso fica para os artistas que podem lidar com esse tipo de profundidade da emoção e transformar suas emoções e a sua própria vida em algo icônico para experiência das outras pessoas, que sirvam também para que os outros reflitam. “A Sagrada Família” tem essa característica, mas o título não fui eu que dei. Quando terminei o filme, não sabia que título dar.
Lembrava também o conto da “Bela e a Fera”, só que era a “Bela e Fera” de uma certa forma na mesma estrutura do “Médico e o Monstro”, do Stevenson – que era o escritor inglês –, e aí tem um filme do Jean Cocteau, a Bela e a Fera, que me impressionava muito, uma produção em preto e branco, um filme muito místico. E aí eu trabalhei com essas questões, quer dizer, dentro da estrutura do filme. Se você assistir ao filme bem direitinho de novo, vai perceber claramente a estrutura dele, o modo como ele está armado, o modo como ele começa, como separa os momentos e como constrói a cura.
A última imagem do filme, que é a minha avó, ela está com uma faca sentada num batente e ela balança a faca, a imagem é toda azulada, e toca a “Polonaise Militar” do Chopin, a única música que tem no filme. Aliás, só tem duas músicas, uma que é “Let it Be”, que eu botei para tocar na hora que era o meu irmão, ele está sentado na cama e diz “não, não quero falar” e a câmera caminha e tem uma metralhadora desenhada no espelho da cama e toca “Let it Be”, que é o “deixar estar”. Foi uma construção muito bem pensada, apesar da situação, mas foi bem calculada para que as coisas todas pudessem ter aquela construção narrativa que eu consegui. Também tem uma coisa importante: o movimento de psiquiatria chamado antipsiquiatria de David Cooper, com os livros: A gramática da vida” e “A morte da família”. Essas duas leituras junto com as leituras de Freud, o filme de Cocteau, “A bela e fera e, o livro do Stevenson, me ajudaram a conceber a estruturação do duplo na pessoa humana de meu pai e, uma permissão, que acreditava, que se eu curasse aquilo através do cinema, eu me curaria.
De fato, aconteceu isso, toda minha raiva transformou-se em algo bom, em compaixão, quando eu comecei a entender a coisa, a estrutura veio e fiz o filme, montei o filme. Terminou se tornando uma produção estranha porque enquanto todo mundo fez filmes sobre outras coisas, eu fiz um filme sobre algo que me perturbava profundamente. A arte termina sendo assim, a gente termina enfrentando coisas que nos perturbam profundamente e você tenta encontrar respostas para isso e quando eu procuro encontrar essas respostas, termino ajudando outras pessoas a encontrarem suas respostas. Ficaria muito feliz se “A Sagrada Família” ensinasse outras pessoas a perdoarem os seus pais ou outras pessoas da família, que num primeiro momento têm, aparentemente, sidos muito maus, ensinar que mesmo quando são muito maus, eles podem ser muito bons, se você consegue encontrar o caminho de cura para ele em você mesmo. Isso foi o que aconteceu com meu pai, não por causa do filme, mas de uma certa forma com o tempo ele mudou e foi muito legal.
Agora, é claro, não deixa de ser chocante, algumas pessoas me questionaram isso: “você filmou seu pai, não sei o quê…” e eu disse: “rapaz, acho muito mais prático fazer isso e tentar me recuperar através desse amor e demonstrar isso num filme onde eu termino mostrando o meu pai poeta recitando um soneto, feliz, num ambiente bucólico construindo algo positivo, do que eu, por exemplo, ficar com a minha vida toda magoada, cheio de trauma e considerando meu pai um monstro pelo resto da vida”. Então é melhor encarar logo e lavar a roupa suja diante das pessoas, como os cristãos antigos faziam, o pecado nosso é esse aqui, vamos nos purgar logo.
Sei que realmente é algo que só artistas podem fazer porque geralmente uma pessoa que não lide com a arte não vai ter ferramentas para canalizar essa energia, pronto, isso é freudiano, chama-se sublimação. Eu peguei toda energia psíquica e sublimei através de uma obra que constrói a transformação de uma situação má, numa situação boa, é isso que é o “Sagrada Família.
Quem deu o título foi Pedro Santos, ele viu o filme e disse “qual o título?” e eu pensando no filme do Jean Cocteau, digo: “Pedro, não sei, não tenho certeza”. A gente tinha que ir para um festival e o filme não tinha título e ele disse “já sei, Everaldo, seu filme vai se chamar ‘A Sagrada Família’”, aí eu falei “tudo bem, ele vai se chamar ‘A Sagrada Família’, mas eu não vou colocar letreiro – o crédito inicial –, se for o caso se coloca o crédito final. O filme é um dos poucos do NUDOC que não tem, no princípio – depois colocaram, mas não é do filme, foi colocado pelo pessoal para digitalizar, o filme mesmo não tem letreiro, não tem nada –, ele tinha uma parte explicativa no final, mas que não era do filme. Eu dizia para Pedro: é muito ruim você colocar um título numa obra dessas, é como um quadro, já imaginou? Eu pinto um quadro e coloco um título pregado embaixo da moldura, a primeira coisa que eu faço é tirar o poder dele, as possibilidades de leitura que isso tem porque o título é muito forte, não é? Olha só: “A Sagrada Família”, aí isso já vai formando ‘sagrada família’ na cabeça, mas o ‘sagrada família’ de Pedro não era o ‘sagrada família’ da história sagrada, é do livro de Friedrich Engels e Karl Marx, porque Pedro era marxista, que foi outra coisa que eu questionei com ele: “Pedro você vai colocar esse título e vai ser pior ainda, vamos ter que colocar uma bula para explicar para o público que não se trata da ‘Sagrada Família’ das pinturas que vendem e as pessoas colocam na sala de jantar, que é outra coisa, aí é mais complicado ainda”. Mas ninguém perguntou sobre isso e eu pensei: “sabe, deixa para lá!, porque senão ia ser uma bula mesmo para explicar a tese dele e tal. Acho que a obra de arte não precisa ter muitos letreiros, ela é o que é. Este filme ganhou uma importância e uma força que me assusta porque até hoje tem gente trabalhando com o ele.

É um filme muito simples, filmado em ektachrome, é todo feito com luz natural. Em alguns momentos há situações estranhas: Quando estou dentro de casa, por exemplo, eu dependia de uma fonte de luz forte fora, então você vê que a câmera procura encontrar uma janela, o tempo todo estou atrás de uma janela porque quando você está dentro de um ambiente escuro, trabalhando com ektachrome e – trabalhar com luz artificial seria triste porque o filme ficaria muito avermelhado – aí eu tive que calcular. Não existe filme inocente, todo filme é calculado, ensaiado, mesmo um filme daquele meio que preparado para ser feito com uma quantidade muito limitada de película para usar. Quer dizer, deu certo, né?